Suplementação com vitaminas do complexo B na prevenção da doença de Alzheimer

Novembro 23, 2021 0 Por Roger roger

As perdas das células cerebrais são consideradas um processo fisiológico natural, mas em doenças que levam à demência esse processo ocorre de forma acelerada tornando-o patológico, consequentemente comprometendo as funções cerebrais (FERREIRA et al.,2016). Entre as doenças que afetam o funcionamento do sistema nervoso central, a doença de Alzheimer é mais comum em pessoas idosas (GONÇALVES; CARMO, 2012; LOPES et al., 2020).

A doença do Alzheimer é caracterizada pela a deterioração progressiva e irreversível de várias funções cognitivas, na qual leva a alterações do comportamento e da personalidade do indivíduo, diminuindo as suas habilidades funcionais e progredindo para um alto grau de dependência de terceiros na realização das atividades cotidianas (CORREIA et al., 2015; COSTA, 2019).

Não há comprovação para cura do Alzheimer, porém muitos estudos vêm sendo feitos com a intenção de prevenir essa doença. Estudos com o ômega-3 apontam os benefícios
desses ácidos graxos, aos portadores de Alzheimer, por meio da diminuição dos marcadores da inflamação (FAMENINI et al., 2017; KARIMI et al., 2017; OLIVEIRA et al., 2018; BELKOUCH et al.; 2016).

As vitaminas B6, B9, B12, estudadas isoladamente apresentaram um menor aparecimento dos sintomas para a doença do Alzheimer (MALLIDOU; CARTIE, 2015; SINDI; MANGIALASCHE; KIVIPELTO, 2015, WEBER et al., 2019). Essas vitaminas são consideradas essenciais, pois o organismo não consegue sintetizá-las, sendo necessário o consumo por meio da alimentação (DANTAS et al., 2012; RUBERT et al., 2017), e também não são armazenadas no organismo, precisando ser suprimidas em doses diárias (ARRUDA, 2009; RUBERT et al., 2017)

FISIOPATOLOGIA DO ALZHEIMER:
A doença do Alzheimer possui três estágios evolutivos: o inicial ou leve, quando aparecer os primeiros sintomas de esquecimentos; o intermediário ou moderado, há alteração do humor, a frustração, o medo; e o final grave, apresentando dificuldades em se movimentar, e a memória é ainda mais comprometida (CORREIA A, et al., 2015).
Conforme a Organización Panamericana de La Salud (OPAS) a doença do Alzheimer se caracteriza por processo degenerativo que acomete múltiplas funções corticais, incluindo memória, pensamento, compreensão e linguagem, sendo que as deficiências das habilidades cognitivas são comumente acompanhadas pela perda de controle emocional, do comportamento social e da motivação (OPAS, 2015). Sua neuropatologia envolve placas neuríticas e novelos neurofibrilares, caracterizados por alterações extracelulares com acumulação da proteína beta-amilóide, e seus sintomas iniciais incluem perturbações da memória, apatia e depressão (FREITAS, 2015).

ALZHEIMER E ÔMEGA 3:
Os derivados do ácido docosahexaenóico do tipo ômega-3 (DHA) são encontrados principalmente em alimentos de origem marinha, como algas, moluscos, crustáceos e peixes de águas profundas (HORROCKS; FAROOQUI, 2004). Uma vez fornecido pela dieta, o precursor ômega-3 é metabolizado por DHA ou ácido eicosapentaenóico (EPA) principalmente no fígado e, em menor extensão, no endotélio cerebral ou no astrócitos, de onde é exportado para os neurônios (WILLIARD et al., 2001) . O DHA é incorporado aos fosfolipídios das membranas neuronais, conferindo-lhe propriedades estruturais e físico-químicas essenciais para o seu funcionamento sináptico (CARLSON, 2002).
Portanto, uma alta concentração de DHA confere perfeita fluidez às membranas plasmáticas, facilitando o transporte de neurotransmissores (MCCANN; AMES, 2005).
Diversos estudos têm demonstrado que o aumento da suplementação de DHA favorece a maturação e o desenvolvimento neuronal, especificamente nas células do hipocampo,
aumentando a função sináptica (CALDERÓN; KIM, 2005; CAO et al. 2009).

ALZHEIMER E VITAMINAS DO COMPLEXO B:
Segundo Min e Min (2016) o consumo de folato e vitamina B12 possuem um papel no desenvolvimento da doença do Alzheimer, pois o baixo nível desses micronutrientes favorece o acometimento da doença. Pacientes com baixos níveis de folato, assim como baixos níveis de vitamina B12, podem apresentar níveis de homocisteína elevados, o que, por sua vez, é neurotóxico e pode levar ou agravar alterações degenerativas (REMACHA et al. 2011). O folato promove a regeneração da metionina a partir de homocisteína (HERRMANN; OBEID, 2011). Portanto, para evitar que os níveis de homocisteinemia se elevem as vitaminas do complexo B são fundamentais. (CORREIA, 2015).
As vitaminas do complexo B (vitamina B1, B6, B12) e do ácido fólico exercem um papel essencial na função neuronal na DA, pois elas ocasionam uma diminuição nos riscos do desenvolvimento dos transtornos neurológicos e da demência (MITCHELL; CONUS; KAPUT, 2014).

RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Muitos estudos têm sido realizados de forma sistemática sobre o Alzheimer a fim de elaborar terapias para reduzir a incidência e controlar os sintomas da doença (SANTOS, 2019). Pesquisa realizada com a suplementação de 800mg/dia de DHA e 225mg/dia de EPA mostrou que o grupo suplementado com w-3 apresentou uma melhora significativa na cognição (ANDRIEU et al.,2017; OLIVEIRA et al., 2018). Outro estudo desenvolvido por Karimi et al, (2017) administrou uma dose de 1,7g/dia de DHA e 0,6 g/dia EPA e observou que a suplementação do w-3 auxiliou na diminuição dos processos inflamatórios que poderiam levar ao surgimento ou progressão do Alzheimer. Por outro lado, BIGUETI, et al, (2018) revelou que o consumo das vitaminas do complexo B foi capaz de diminuir a atrofia do cérebro nas áreas de massa cinzenta em pacientes com hiperhomocisteinemia e que a elevada concentração de homocistenemia mostrou-se associada à aceleração da atrofia da nas áreas da massa cinzenta do cérebro. Nessa perspetiva, alguns estudos também apontaram que a ingestão inferior recomendada pela Recommended Dietary Allowances (RDA) das vitaminas B1, B6, Ácido Fólico e vitamina B12 pode estar associada a déficits cognitivos e à hiperhomocisteinemia (CORREIA, 2015; BIGUETI, 2018).

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Estudos revelam que tanto o ômega-3 quanto às vitaminas do complexo B possuem contribuição importante para a diminuição dos processos inflamatórios em quadros clínicos da doença do Alzheimer. Favorecendo a manutenção das estruturas neurais, reduzindo a perda de cognição. Portanto, o consumo diário desses nutrientes através da alimentação é de extrema importância para prevenção de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.


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